Aves Que Aqui Gorjeiam





Un voyageur est une espèce d'historien ; son devoir est de raconter fidèlement ce qu'il a vu ou ce qu'il a entendu dire ; il ne doit rien inventer, mais aussi il ne doit rien omettre.

[Chateaubriand]
Ecrivain et poète français


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Um viajante é uma espécie de historiador; seu dever é contar fielmente tudo o que viu e tudo o que ouviu dizer; ele não deve inventar e nem omitir nada.

[Chateaubriand]
Escritor e poeta francês









Exodus


Edith Piaff








Ce blog est un passe-temps pour moi, et la majorité des traductions moi même je les fais; néanmoins, je ne suis pas expert, donc elles ne sont pas parfaites.

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Este blog é apenas um passatempo, a maioria das traduções eu mesma as faço; porém, como não sou uma especialista, elas não são perfeitas.

Aceito críticas, sugestões e correções.

Quarta-feira, Novembro 23, 2005


Fernando Pessoa

O ANDAIME

Fernando Pessoa

O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado!

Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anônimo e frio,
A vida vivida em vão.

A 'sp'rança que pouco alcança!
Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança
Sobre mais que minha 's'prança,
Rola mais que o meu desejo.

Ondas do rio, tão leves
Que não sois ondas sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passam - verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer.

Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.

Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida!

Que fiz de mim? Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.

Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças -
Mortas, porque hão de morrer.

Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim -
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser - muro
Do meu deserto jardim.

Ondas passadas, levai-me
Para o alvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.




MARTA MAIA