Aves Que Aqui Gorjeiam





Un voyageur est une espèce d'historien ; son devoir est de raconter fidèlement ce qu'il a vu ou ce qu'il a entendu dire ; il ne doit rien inventer, mais aussi il ne doit rien omettre.

[Chateaubriand]
Ecrivain et poète français


.......

Um viajante é uma espécie de historiador; seu dever é contar fielmente tudo o que viu e tudo o que ouviu dizer; ele não deve inventar e nem omitir nada.

[Chateaubriand]
Escritor e poeta francês












Exodus


Edith Piaff








Ce blog est un passe-temps pour moi, et la majorité des traductions moi même je les fais; néanmoins, je ne suis pas expert, donc elles ne sont pas parfaites.

.....

Este blog é apenas um passatempo, a maioria das traduções eu mesma as faço; porém, como não sou uma especialista, elas não são perfeitas.

Aceito críticas, sugestões e correções.

Sábado, Outubro 01, 2005


Fado Tropical

Chico Buarque - Ruy Guerra





Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal


"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora...''


Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal


"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intencão e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa''


Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal



MARTA MAIA






Sexta-feira, Setembro 30, 2005


Joaquim Maria Machado de Assis
Ecrivain brésilien
(1839-1908)


Les explications font dépenser du temps et du papier, retardent l'action et finissent par ennuyer.
Le mieux, c'est de lire attentivement.

As explicações gastam tempo e papel, atrasam a ação e terminam por aborrecer.
O melhor é ler com atenção.

(Extrait de Esaü et Jacob)

Crois en toi, mais ne doute pas toujours des autres.
Creia em ti, mas nunca duvide dos outros.


Nous tuons le temps, mais il nous enterre.
Nós matamos o tempo, mas ele nos enterra.

(Extrait de Quincas Borba)

MARTA MAIA






Segunda-feira, Setembro 26, 2005


História Pátria

Ascenso Ferreira



Plantando mandioca, plantando feijão,
colhendo café, borracha, cacau,
comendo pamonha, canjica, mingau,
rezando de tarde nossa Ave-Maria,
Negramente...
Caboclamente...
Portuguesamente...
A gente vivia.


De festas no ano só quatro é que havia:
Entrudo e Natal, Quaresma e Sanjoão!
Mas tudo emendava num só carrilhão!
E a gente vadiava, dançava, comia...
Negramente...
Caboclamente...
Portuguesamente...
Todo santo dia!


O Rei, entretanto, não era da terra!
E gente pra Europa mandou-se estudar...
Gentinha idiota que trouxe a mania
de nos transformar
da noite pro dia...

A gente que tão
Negramente...
Caboclamente...
Portuguesamente...
Vivia!

(E foi um dia a nossa civilização
tão fácil de criar!)

Passou-se a pensar,
passou-se a cantar,
passou-se a dançar,
passou-se a comer,
passou-se a vestir,
passou-se a viver,
passou-se a sentir,
tal como Paris
pensava,
cantava,
comia,
sentia...

A gente que tão
Negramente...
Caboclamente...
Portuguesamente...
Vivia!



MARTA MAIA